E assim se passou mais um Natal...
Com a correria das últimas preparações, menos gente a encher a casa e, penso, menos magia no ar.
Deve ser de já estarmos "neste ponto" do crescimento... começamos a ganhar contornos de adulto… parece que alguém quer substituir a inocência e ingenuidade infantis por todo desencanto que as pessoas grandes representam. Mas eu, pelo menos eu, não quero crescer de maneira a me tornar como eles.
"As pessoas grandes são assim. Não vale a pena zangarmo-nos com elas." Eu, pelo menos eu, não quero ser assim.
Não aceito que a véspera de Natal se torne num dia em que ando com cara cansada e máscara feliz a cobri-la. Não aceito que se torne no carregar fatigado dos sacos recheados de prendas compradas à última da hora, numa lojinha de esquina, sem valor nenhum - nem material nem, o mais importante, sentimental. Não aceito que a chegada à casa antiga, quase desabitada, seja tornada na imediata rapidez a dar os retoques finais no arranjo da mesa onde petiscos vários serão digeridos em demasia. Não aceito participar de um Natal hipócrita, em que os egoístas fingem ser os altruístas mais altruístas que alguma vez existiram. Não aceito que o que podia e devia ser uma bela noite relembrando Aquele que deu a vida por nós e todas as outras palavras bonitas em forma de sentimentos e acções que Ele acarreta se torne numa ânsia desenfreada por prendas e mais prendas.
E assim se passou mais um Natal…
Sem estrelas nos meus olhos a fazerem-me ver magia.